Os comportamentos que irritam os passageiros durante um voo

Os comportamentos que irritam os passageiros durante um voo

Viajar de avião faz parte da rotina de milhões de profissionais todos os anos, mas a convivência a bordo continua a ser uma fonte inesgotável de tensões. Um estudo da eDreams revela quais são os comportamentos que mais irritam os viajantes espanhóis e como estão a mudar as regras não escritas de cortesia na cabina. Desde o eterno debate sobre inclinar o assento até à disputa pelos apoios de braços, os resultados traçam um retrato curioso da psicologia do passageiro moderno.



O transporte aéreo conseguiu tornar a viagem de milhares de quilómetros uma atividade quotidiana. No entanto, partilhar durante horas um espaço reduzido com dezenas ou centenas de desconhecidos continua a pôr à prova a paciência de muitos viajantes. Um inquérito realizado pela eDreams junto de 9 000 passageiros de sete países revela que existem comportamentos aparentemente inofensivos capazes de gerar verdadeiros conflitos silenciosos a bordo.

Entre todos eles, há um vencedor claro. Para 53 % dos espanhóis, o gesto mais incómodo durante um voo é o passageiro à frente reclinar o seu assento de forma brusca ou sem aviso prévio. Uma ação totalmente legal, mas que continua a alimentar um dos debates mais recorrentes da aviação comercial: até onde vai o direito de reclinar o assento quando o espaço disponível para as pernas é cada vez mais reduzido.

A segunda grande fonte de irritação surge ainda antes da descolagem. 32 % dos inquiridos afirmam ficar desesperados quando outros passageiros demoram demasiado tempo a colocar a bagagem nos compartimentos superiores. Entre os maiores de 65 anos, esta percentagem sobe para 39 %, refletindo uma menor tolerância em relação aos atrasos que retardam o embarque.

Também causam incómodo aqueles que se levantam dos seus lugares antes de o avião ter parado completamente após a aterragem. Um em cada quatro viajantes espanhóis considera esta prática incómoda, enquanto 12 % reconhecem sentir-se incomodados quando outro passageiro lhes pede para trocar de lugar.

A cortesia tem limites

O estudo revela ainda diferenças culturais interessantes. Os viajantes britânicos são os mais sensíveis aos movimentos do assento da frente: seis em cada dez consideram que recliná-lo é o comportamento mais irritante durante um voo. Os franceses, por seu lado, são os que pior suportam os atrasos causados pela bagagem de mão, enquanto os aplausos à aterragem continuam a ter detractores especialmente numerosos no Reino Unido e em Itália.

Ajudar ou não ajudar com a mala

A gestão da bagagem de mão é outro dos momentos que põe à prova a convivência na cabina. Em Espanha, 43 % dos viajantes afirmam que a sua disponibilidade para ajudar outro passageiro a colocar uma mala depende das circunstâncias e de perceberem se este realmente precisa de ajuda. 35 % afirmam que ajudariam sempre.

Os italianos e os alemães lideram o ranking dos viajantes mais dispostos a colaborar incondicionalmente, enquanto os britânicos demonstram uma atitude mais distante e preferem que seja a tripulação a intervir.

O território disputado do apoio de braço

Poucas questões geram tantas regras tácitas como a utilização dos apoios de braço no lugar do meio. A maioria dos espanhóis opta por uma solução conciliatória: 56 % considera que devem ser partilhados entre os ocupantes da fila.

Esta atitude é especialmente frequente entre os viajantes mais idosos e também entre italianos e portugueses. Em contrapartida, os passageiros norte-americanos demonstram uma visão mais individualista do espaço pessoal, com menor predisposição para ceder parte do seu apoio de braço.

Quando o problema entra pelo nariz

Se existe um incómodo que supera todos os outros em termos sensoriais, esse é o mau cheiro corporal de outros passageiros. 78 % dos espanhóis identificam-no como a pior experiência possível durante um voo.

Muito atrás ficam outros inconvenientes habituais, como os odores provenientes da casa de banho ou o uso excessivo de perfume. A higiene pessoal surge, assim, como uma das principais preocupações dos viajantes quando partilham durante horas um espaço fechado.

Conversar... ou fingir que se está a dormir

A convivência a bordo também coloca um dilema social: falar com o vizinho de lugar ou manter as distâncias? Os espanhóis optam, na sua maioria, pela segunda opção. 36 % admitem utilizar respostas curtas para encerrar a conversa o mais rapidamente possível.

Os mais jovens mostram uma atitude mais aberta. Quase metade dos passageiros entre os 18 e os 24 anos considera que uma conversa durante o voo pode tornar-se uma história interessante. No entanto, são também eles que mais recorrem a estratégias para evitar conversas indesejadas, como fingir que estão a dormir.

Para além das diferenças geracionais ou culturais, o inquérito confirma que a convivência na cabina continua a ser um delicado exercício de equilíbrio entre o conforto individual e o respeito coletivo. E embora a aviação tenha evoluído enormemente nas últimas décadas, algumas das pequenas batalhas dos passageiros parecem destinadas a acompanhar-nos durante muitos mais anos.