Nenhum trabalhador remoto quer voltar a um modelo 100% presencial.
Após o avanço da vacinação e o fim das férias de verão, muitas empresas lançaram a chamada campanha "Back to the office". No entanto, de acordo com os últimos dados da InfoJobs, a chegada de setembro não provocou grandes mudanças em relação ao modelo de emprego anterior ao período de férias. De facto, três em cada quatro profissionais em Espanha trabalham 100% presencialmente, enquanto os restantes continuam a desempenhar as suas tarefas à distância.
Para obter uma imagem mais precisa da situação atual, basta notar que, dos trabalhadores que estavam a trabalhar remotamente até à data, apenas 13% regressaram ao modelo on-site nas últimas duas semanas.
Uma das conclusões mais significativas a emergir deste relatório é que quanto mais alto o nível de emprego dos funcionários, maior a probabilidade de escolherem o modelo de trabalho.
Assim, apenas 18% dos funcionários em posições de menor responsabilidade dizem que a decisão de ir ou não ao escritório cabe a eles. Esta percentagem, no caso das chefias intermédias, sobe para 29%, enquanto no caso dos executivos sobe para 53%.
A nível nacional, 23% dos profissionais que voltaram ao escritório dizem que o fizeram por decisão própria, e 20% dizem que o fizeram por obrigação. Os restantes 58% são aqueles cujas tarefas profissionais não lhes permitem o teletrabalho.
MOTIVOS PARA RETORNAR
No que respeita aos principais motivos invocados pelos trabalhadores para regressar ao escritório, destacam-se os seguintes: socializar com os colegas (37%), ser mais produtivo ou eficiente (35%) e trabalho em equipa (34%).
Com uma escolha, 7 em cada 10 trabalhadores escolheriam um modelo de trabalho que lhes permitisse trabalhar à distância, especialmente numa base flexível ou indo ao escritório 1 ou 2 dias por semana.
Especificamente, 29% optariam por um modelo de trabalho flexível: poderiam gerir quando trabalhar a partir de casa e quando trabalhar a partir do escritório. Além disso, 21% prefeririam trabalhar 1 ou 2 dias a partir do escritório e o resto a partir de casa; 8% prefeririam 3 ou 4 dias a partir do escritório e o resto a partir de casa; e 11% escolheriam um modelo totalmente remoto.
Por outro lado, nenhum trabalhador remoto (apenas 2%) quer voltar a um modelo 100% presencial, e mesmo 1 em cada 4 teletrabalhadores gostaria de ter um modelo 100% remoto. Dos que atualmente trabalham presencialmente, 60% dizem que gostariam de adotar um formato de trabalho híbrido ou 100% remoto.
Finalmente, vale a pena notar que o teletrabalho se tornou um benefício do qual os profissionais não querem abrir mão. E é que 50% dos teletrabalhadores reconsiderariam mudar de emprego se sua empresa o obrigasse a voltar ao escritório num modelo 100% presencial. Essa porcentagem sobe para 70% entre aqueles com menos de 44 anos de idade e cai para 30% no caso de trabalhadores entre 45 e 65 anos de idade.
Nas palavras de Mónica Pérez, Diretora de Comunicação e Pesquisa da InfoJobs: “É muito provável que, à medida que o diálogo entre empresas e trabalhadores avance durante o restante do ano, o teletrabalho se torne mais estabelecido no mundo do trabalho”.
Pérez acrescenta: "Agora que não há dúvidas de que o teletrabalho é um modelo compatível e que pode trazer múltiplos benefícios para empresas e profissionais, é provável que outros como a semana de trabalho de quatro dias comecem a tomar forma.
MODELOS DE TRABALHO
Com os dados extraídos deste relatório, seria possível estabelecer uma pequena radiografia dos três modelos de trabalho do momento (100% presencial, híbrido e 100% remoto). Assim, pode-se observar que aqueles que preferem um modelo totalmente presencial respondem a um perfil entre 55 e 65 anos, com alta presença no sul da Espanha (26%) e dedicado a setores como educação e, como esperado, outros como agricultura e pecuária.
Em contrapartida, os que optam por um modelo totalmente remoto são mais jovens (25-34 anos), com residência no centro da península, e dos sectores da informação e comunicação, financeiro, seguros ou actividades administrativas, ou artes e entretenimento.
Os que optam pelo modelo híbrido têm entre 35 e 54 anos, com especial incidência no trabalho administrativo e nos serviços auxiliares.
ESCRITÓRIOS FLEXÍVEIS
Quando questionados sobre o futuro dos escritórios e a existência de um espaço físico comum para trabalhar, quase metade dos profissionais (47%) afirmou que gostaria de trabalhar num ambiente mais flexível;Em contrapartida, 44% afirmam que só serão necessários para determinadas situações, como reuniões de equipa ou reuniões com clientes. Apenas 9% afirmam que não são muito ou nada importantes.
Em regra geral, quanto mais velho é o empregado, mais necessário é o escritório do seu ponto de vista. No entanto, é verdade que, entre os teletrabalhadores, 1 em cada 5 acredita que já não é necessário em nenhuma circunstância.
Finalmente, 59% dos profissionais comentaram que, para que os escritórios se adaptem adequadamente às suas novas funções, precisam de evoluir através de horários de início e fim mais flexíveis.
Enquanto 45% dos trabalhadores salientam a necessidade de evoluírem através da utilização de dispositivos digitais. Outras mudanças a serem implementadas incluem: o uso de elementos de segurança anti-Covid (44%), o estabelecimento de locais de trabalho flexíveis ou rotativos (34%) e a criação de espaços para desenvolver a criatividade (28%).
O uso de elementos de segurança anti-Covid (44%), o estabelecimento de locais de trabalho flexíveis ou rotativos (34%) e a criação de espaços para desenvolver a criatividade (28%).