Os robôs humanóides voltam a estar na mira do setor hoteleiro

Os robôs humanóides voltam a estar na mira do setor hoteleiro

Durante anos, os robôs humanóides foram vistos como uma promessa futurista difícil de concretizar no dia-a-dia da hotelaria. No entanto, os recentes avanços na inteligência artificial estão a reativar o seu potencial como ferramenta operacional no setor, abrindo a porta a novos modelos de interação com o cliente.



Segundo explicam na Enchanted Tools à Travolution, o advento da IA generativa mudou radicalmente a abordagem da robótica. Em comparação com os sistemas antigos, que exigiam a programação individual de cada tarefa, os novos modelos permitem que os robôs interpretem o seu ambiente, tomem decisões e ajam de forma autónoma.

«Durante muito tempo, os robôs precisavam de milhares de linhas de código para executar uma única função, o que tornava inviável a sua utilização generalizada. Hoje, graças à inteligência artificial, podem interagir e adaptar-se a diferentes ??????ações”, explica Brieuc Colas, Diretor de Vendas e Parcerias da empresa.

Da automatização à interação inteligente

A evolução tecnológica não afeta apenas a robótica. O setor hoteleiro já está a incorporar soluções baseadas em inteligência artificial para otimizar a tarificação dinâmica, automatizar o atendimento ao cliente através de chatbots multilingues disponíveis 24 horas por dia ou gerar conteúdos personalizados de marketing.

Neste contexto, os robôs humanóides deixam de ser uma simples ferramenta mecânica para se tornarem uma extensão física da inteligência artificial. Tecnologias como os modelos VLM (Vision Language Model) ou VLA (Vision Language Action) permitem que o robô identifique o que se passa à sua volta, interprete e aja em conformidade.

Design para gerar confiança

Um dos principais desafios continua a ser a aceitação por parte dos clientes. Para o abordar, os desenvolvedores têm trabalhado em aspetos como o design e a ergonomia. No caso dos robôs criados pela Enchanted Tools, optou-se por uma altura aproximada de 1,30 metros, com o objetivo de transmitir proximidade e evitar a perceção de substituição do pessoal humano.

“O design procura que o cliente veja o robô como um assistente, não como um substituto. É uma promessa implícita que facilita a interação”, assinalam na empresa.

Aplicações no setor hoteleiro

O robô Mirokaï, desenvolvido pela Enchanted Tools, ilustra esta abordagem. Inicialmente concebido para ambientes de saúde, a sua adaptação ao setor hoteleiro permite desempenhar funções como o atendimento na receção, a assistência multilingue ou o acompanhamento dos hóspedes até aos seus quartos.

Ao contrário dos quiosques digitais tradicionais, estes robôs podem integrar-se nos sistemas do hotel e oferecer uma experiência mais dinâmica e personalizada. No entanto, a sua implementação ainda está condicionada por fatores como o custo ? estimado entre 40 000 e 60 000 euros? e a necessidade de gerar um efeito diferenciador que justifique o investimento.

Um futuro ainda em construção

Embora a sua presença continue a ser limitada, a combinação de inteligência artificial avançada e robótica sugere que os robôs humanóides poderão encontrar um novo espaço na hotelaria. Mais do que substituir o pessoal, o seu papel visa complementar a experiência do cliente, proporcionando eficiência operacional e uma componente inovadora cada vez mais valorizada no setor.