A festivalização dos congressos profissionais, uma realidade imparável

A festivalização dos congressos profissionais, uma realidade imparável

Nos últimos anos, verificámos que os formatos clássicos de congressos têm tido mais dificuldade em atrair o mesmo número de visitantes e expositores que anteriormente. O público mudou e as suas expectativas sobre o que um evento deve oferecer aumentaram para além das palestras e debates no palco principal. Para se manterem relevantes, os organizadores têm de se adaptar, apoiando-se nas startups e nas empresas de tecnologia que estão a liderar a tendência para um conceito mais "festivo" de congressos.

O South by Southwest em Austin (Estados Unidos), o Web Summit em Lisboa e o Slush em Helsínquia. Três exemplos notáveis de congressos tecnológicos que ultrapassaram o formato tradicional. Todos eles dividem o evento em espaços e áreas mais pequenos e intimistas, introduzem novas actividades como gastronomia, música, espectáculos ou workshops e diversificam os conteúdos em diferentes cenários. Estão a ser criados cada vez mais espaços dedicados às redes sociais para incentivar os visitantes a difundir conteúdos e a viralizar a mensagem do evento.

 

?

O que torna estes grandes eventos internacionais tão bem sucedidos? Os organizadores de eventos compreenderam que os seus participantes não são apenas profissionais interessados em receber informações, mas pessoas que também procuram entretenimento e contactos. Consequentemente, os congressos modernos oferecem cada vez mais uma experiência abrangente aos visitantes, com experiências interactivas e conteúdos diversificados.

O formato clássico de congresso, centrado principalmente na transferência de conteúdos e conhecimentos em palco, perdeu popularidade. Hoje em dia, tornou-se um verdadeiro espetáculo para todos os sentidos, com um palco de design apelativo, actuações musicais excepcionais, efeitos visuais deslumbrantes e actividades dinâmicas de ligação em rede.

O objetivo é criar uma experiência memorável para os participantes, cheia de inspiração e surpresas agradáveis. O congresso não deve ser apenas visitado, mas sim experimentado e vivido. Não basta organizar uma festa nocturna no próprio local do congresso, é necessário criar uma experiência inesquecível.

Em Espanha, um dos principais destinos de congressos, feiras comerciais e grandes eventos, a tendência para a "festivalização" começa a ser evidente. O Mobile World Congress, por exemplo, a maior feira de tecnologia realizada em Barcelona, que atrai mais de 100.000 participantes todos os anos, selou este ano uma aliança com o Festival Sónar para trazer o lado musical ao 4YFN, a secção dedicada às startups.

Este conceito está a abrir novas oportunidades para o desenvolvimento do sector, com novos públicos e públicos mais diversificados. Os formatos contemporâneos, mais divertidos, são também dirigidos a um público-alvo mais jovem e internacional. Em todo o caso, é igualmente importante analisar os valores acrescentados que trazem. Só os organizadores que definem bem a essência da sua marca e que compreendem as necessidades do seu público atual e potencial poderão levar a cabo com êxito o processo de transformação.