Que novas abordagens estão as empresas a adotar nas suas convenções internas?

Que novas abordagens estão as empresas a adotar nas suas convenções internas?

DAVID TEJO, Assistente de Marketing & Comunicação



 


Está a aproximar-se uma data aguardada por todos na empresa. Um marco ao longo do ano, que é a reunião de grande parte dos membros da marca, tanto a nível nacional como internacional. Durante um curto período de tempo de três ou quatro dias, o encontro entre pessoas e a partilha de ideias na convenção interna é rodeado por uma série de actividades que procuram gerar uma excelente memória deste período de intenso trabalho.

Durante vários anos, as grandes marcas desenharam grandes acções corporativas, nas quais gerar um itinerário anual de trabalho, ou incutir um objetivo global de vendas, eram alguns dos pilares prioritários. Para muitos, a convenção anual de vendas foi muitas vezes mais uma forma de tortura numérica do que uma fonte de alegria. Por esta razão, o grau de atenção nos diferentes dias e reuniões que compunham estes eventos foi diminuindo, sendo apenas alterado nos momentos em que se fazia uma pausa para desfrutar de um almoço opcional ou de um intenso jantar de gala como culminar do dia.

Nos últimos anos, como tem acontecido nos congressos profissionais, os objectivos mudaram, assim como o foco do evento. Não percamos de vista o facto de estarmos a trabalhar com pessoas, não com máquinas que devoram informação ou o objeto de desejo dos patrocinadores.

Analisando vários dos projectos deste tipo, geridos profissionalmente nos últimos anos, em termos de organização, logística e encenação, podemos ver como:

As convenções de empresas estão mais concentradas. Geram micro briefings, pelo que a informação é dada de forma intensa mas mais especializada. Procuramos evitar o supérfluo e o desnecessário, para não esgotar a mente e a paciência dos nossos convidados nem ocupar o tempo com longas sessões paralelas em diferentes break outs.

Se quisermos oferecer informação muito específica, oferecemos as master class, palestras muito específicas dadas por profissionais da marca ou convidados externos. Para além disso, existem as “pechakucha”, quer no formato 20×20 e com um toque criativo, quer numa versão alargada com uma duração máxima de seis minutos.

As distâncias são encurtadas e procuram-se locais realistas. Evitam-se as macro-resorts na praia para grandes grupos. Porquê viajar para um local ideal, situado a 5 horas de distância do nosso ponto de origem, se vamos principalmente para trabalhar? A utilização de destinos de média dimensão, bem comunicados, que permitam o desenvolvimento do programa e o envolvimento com a população e o meio ambiente são mais valorizados.

Muitas marcas optam pela parte da Responsabilidade Social Corporativa. Durante muitos anos, empresas de vários sectores económicos fizeram grandes investimentos em comunicação interna que não tiveram o ROI esperado. É por isso que, desde há algum tempo, muitas empresas optam por ajudar ambientes menos favorecidos de várias formas: doações a entidades em troca de colaboração ou cedência de espaços para a utilização de actividades (é o caso da utilização de campus universitários, espaços monumentais em hospitais e conventos que normalmente estão fechados?), visitas de pessoas locais e degustação de produtos locais (por exemplo, quem melhor do que um agricultor para explicar a origem dos produtos que uma empresa alimentar distribui, ou o tratamento dado às vinhas que uma empresa vinícola utiliza como base para os seus vinhos ou cavas?O desporto tornou-se uma válvula de escape e um motivo de união entre os participantes numa convenção. Não é raro ver sessões de ioga de manhã cedo para os participantes, ou jogos de vários desportos, como o futebol ou o basquetebol, nos quais interagem dirigentes e trabalhadores de diferentes níveis. Não esqueçamos que trabalhamos com pessoas que gostam de se sentir como pessoas e não como objectos intocáveis. Uma pequena "liga" que dura dois dias após uma sessão de trabalho é uma excelente maneira de liberar tensões e reunir nossos convidados de maneira humana.

Turismo para as novas gerações: os momentos aparecem para os mais "juniores". Passámos de ver como apenas os membros mais veteranos da marca têm voz e voto, para dar tempo e presença aos mais jovens, que desejam apresentar as suas ideias, preocupações e sugestões para possíveis mudanças. Ouvir é tão importante como falar, e as opiniões dos novos membros da empresa podem ser muito úteis para projectos que estão a ser iniciados ou que podem ser postos em marcha. Desta forma, surgem painéis para que possam apresentar as suas sugestões tanto presencialmente como virtualmente graças às redes sociais.

Estas são apenas algumas das diferenças que podemos encontrar nas convenções actuais.

Mais frescas, menos herméticas e mais humanas do que as vividas há anos atrás. Para muitos, a crise económica que nos rodeia serviu para dar a volta à situação e relembrar como um tratamento individual no trabalho é mais agradável.

Não precisamos apenas de grandes macro eventos para levar boas recordações e continuarmos a ter orgulho na marca a que pertencemos e respeitamos. Saber que somos uma equipa de pessoas dispostas a contactar com as pessoas, e vermo-nos como tal, é a melhor impressão que este tipo de ação de marketing pode gerar em nós.