A International SOS alerta para um cenário cada vez mais complexo no que diz respeito à mobilidade corporativa
A crescente complexidade do cenário internacional está a obrigar as empresas a reforçar as suas políticas de proteção do viajante corporativo. Isto ficou patente durante a Conferência Anual International SOS 2026, onde especialistas em segurança, saúde e geopolítica analisaram como as mudanças no equilíbrio global de poder estão a transformar a mobilidade internacional das empresas.
Os conflitos regionais, as tensões entre grandes potências, a instabilidade política, os riscos sanitários e as dificuldades de mobilidade fazem parte de um contexto cada vez mais imprevisível para as organizações com atividade internacional. Neste contexto, os responsáveis pelas viagens e pela mobilidade corporativa enfrentam o desafio de garantir a segurança dos colaboradores em deslocação sem comprometer a atividade comercial e operacional exigida pelos seus negócios.
Durante o evento, a International SOS apresentou a sua visão sobre os principais riscos que afetam atualmente os viajantes corporativos. Entre estes contam-se as ameaças à integridade física dos trabalhadores, os danos em infraestruturas críticas, a deterioração das condições de segurança, falhas nas comunicações, campanhas de desinformação e restrições à mobilidade decorrentes de crises ou conflitos. A isto juntam-se fatores sanitários, como a redução da capacidade de assistência, a escassez de medicamentos ou o surgimento de surtos infecciosos.
Um dos aspetos mais relevantes para os profissionais de viagens de negócios foi a apresentação do mapa mundial de riscos da empresa, que reflete comocomo praticamente todas as regiões do planeta estão expostas a algum tipo de tensão geopolítica, conflito, processo eleitoral complexo ou situação de instabilidade suscetível de afetar as viagens internacionais.
A dimensão geopolítica foi o tema central de um dos debates do encontro. Sob o título «O mundo em tensão: ¿Como mudou a natureza dos conflitos e a forma de exercer o poder?&», Ricardo Lenoir, responsável pela Unidade de Informação e Assistência da International SOS, moderou uma conversa com a analista Mayte Carrasco e José Pardo de Santayana, vice-presidente do Real Instituto Universitário de Estudos Europeus CEU.
Os especialistas concordam que o mundo atravessa uma profunda transformação marcada pelo confronto entre blocos, a competição por recursos estratégicos e o enfraquecimento do modelo de globalização que caracterizou as últimas décadas.
Carrasco salientou que a humanidade se encontra imersa numa «terceira revolução planetária», enquanto Pardo de Santayana descreveu o momento atual como um ponto de inflexão cujo desfecho dependerá em grande medida das lideranças políticas e da evolução das relações internacionais.
Para as empresas, estas tendências têm implicações diretas. As viagens corporativas já não dependem apenas de fatores económicos ou comerciais, mas também de variáveis geopolíticas capazes de alterar, em questão de horas, as condições de segurança de um destino. A capacidade de monitorizar riscos, antecipar cenários e reagir rapidamente tornou-se um elemento fundamental de qualquer programa de viagens corporativas.
Neste sentido, a International SOS destacou o papel das avaliações no terreno que realiza periodicamente para verificar a qualidade da assistência médica, os protocolos de segurança e a capacidade de resposta dos prestadores locais. A empresa realiza cerca de 250 missões de reconhecimento por ano e conta com uma rede composta por mais de 4.000 profissionais de saúde, 200 especialistas em segurança, 29 centros de assistência e mais de 90 000 prestadores distribuídos por 250 países e territórios.