Quais são as principais linhas de inovação que estão a ocorrer nas viagens de negócios?
PAUL TILSTONE, Vice-Presidente Sénior para o Desenvolvimento Global da Global Business Travel Association (GBTA).
Por um lado, são os próprios viajantes que estão a dizer às suas empresas qual a inovação e a tecnologia de que necessitam para as suas viagens. Estes viajantes já aprenderam a lição como viajantes de lazer e estão a começar a aplicá-la aos seus negócios. As empresas enfrentam o desafio de adaptar toda esta tecnologia ao seu próprio programa de viagens, bem como de tirar partido dos hábitos adquiridos pelos viajantes.
A penetração dos modelos de consumo colaborativo começa também a fazer-se sentir nas viagens de negócios, especialmente em termos de partilha de informação. As redes sociais corporativas começam a disponibilizar conteúdos valiosos de empresas dentro da mesma empresa, muito úteis e práticos para o desenvolvimento de viagens de outros utilizadores.
Em geral, a inovação tem como objetivo uma maior personalização dos produtos e serviços para as viagens de negócios. A tecnologia está a fornecer aos fornecedores ferramentas para dar ao utilizador uma escolha muito maior, de modo a que a compra seja adaptada às suas necessidades.
Esta tendência pode ser vista especialmente nos programas de fidelização, que estão a incorporar programas de CRM muito sofisticados, com algoritmos complexos para obter o background background do cliente. Um dos "perigos" da tecnologia é o facto de dar a possibilidade de ser menos leal a uma marca, devido à capacidade de comparar produtos em tempo real. É por isso que os fornecedores estão a aperfeiçoar as suas ferramentas de comunicação com o cliente para manter os clientes satisfeitos e, por sua vez, tornarem-se um altifalante para outros consumidores.
Outra grande tendência que podemos observar no mercado, como resultado da tecnologia disponível para o utilizador, é a transformação radical do papel do agente de viagens de uma função tradicionalmente transacional para a de consultor, de modo a tornar-se um assistente essencial do gestor de viagens.
Este papel está a ser consolidado através de serviços como a procura das melhores tarifas e opções para itinerários complexos, a assistência 24 horas por dia, o acompanhamento dos viajantes em caso de incidentes, a implementação de ferramentas de auto-reserva, o aconselhamento em negociações com fornecedores e a análise de dados e estatísticas, entre outros.