As regras relativas aos vistos estão a tornar-se mais rigorosas e a ser digitalizadas em todo o mundo

As regras relativas aos vistos estão a tornar-se mais rigorosas e a ser digitalizadas em todo o mundo

A recuperação das viagens de negócios a nível global está a ser acompanhada por uma mudança profunda nas condições de entrada em vários países. De acordo com um estudo da Riskline, as regulamentações relativas a vistos e acesso estão a tornar-se mais complexas, obrigando as empresas a reforçar o planeamento e o controlo das viagens internacionais.



As previsões da Global Business Travel Association apontam para que a despesa mundial em viagens de negócios atinja 1,69 biliões de dólares, consolidando uma tendência de crescimento sustentado. No entanto, este aumento vem acompanhado de uma transformação nos requisitos de entrada, marcada pela digitalização, pelo reforço da segurança e pelo aumento dos controlos pré-viagem.

De acordo com um artigo publicado pela Déplacements Pros, as empresas devem adaptar-se a um ambiente mais exigente, caracterizado pela proliferação de autorizações eletrónicas, sistemas biométricos e verificações antecipadas. «Vivemos uma fase extremamente volátil, com riscos geopolíticos, alterações regulamentares e perturbações globais que afetam as viagens, a imigração e a segurança», salienta Laura Welsh, responsável pelas parcerias globais da Riskline. Um simples erro administrativo pode resultar na recusa de embarque ou entrada, com impacto direto nas operações corporativas.

A Europa acelera a digitalização

O continente europeu avança para um modelo de controlo de fronteiras totalmente digital. Entre os sistemas em desenvolvimento destacam-se o registo de entradas e saídas através de dados biométricos, que substituirá os tradicionais carimbos no passaporte, e os mecanismos de autorização prévia para viajantes isentos de visto. Paralelamente, o Reino Unido já aplica um sistema de autorização eletrónica obrigatória, que impede o embarque sem aprovação prévia.

Os Estados Unidos reforçam os controlos

Nos Estados Unidos, as autoridades tornaram os requisitos de visto mais rigorosos com novas restrições para determinadas nacionalidades, verificações mais exaustivas ? incluindo redes sociais ?, entrevistas presenciais e prazos de processamento mais longos. Além disso, a verificação biométrica consolidou-se como requisito padrão, enquanto programas como o Global Entry procuram equilibrar segurança e agilidade nos acessos.

América Latina e Ásia avançam para o visto digital

A digitalização também se estende pela América Latina, onde países como Cuba, México ou Nicarágua introduziram alterações nos seus sistemas de vistos, incorporando formatos eletrónicos ou eliminando os vistos à chegada em alguns casos.

Na Ásia, o impulso é semelhante: o Vietname amplia o seu programa de visto eletrónico, enquanto destinos como o Camboja ou Singapura reforçam os controlos através de sistemas digitais. A China, por sua vez, combina medidas de flexibilização ? como isenções de visto para determinados mercados ? com novas exigências administrativas online.

Médio Oriente e África: entre simplificação e controlo

No Médio Oriente, a tendência aponta para a simplificação das deslocações regionais com iniciativas como o visto turístico unificado do Golfo, que permitirá viajar por vários países com uma única autorização. Ao mesmo tempo, países como Israel, Iraque ou Egito avançam para sistemas eletrónicos de autorização.

Em África, a situação é mais heterogénea. Enquanto alguns países promovem plataformas digitais de vistos e acordos de mobilidade regional, outros estão a endurecer as suas políticas, eliminando isenções e exigindo vistos antes da viagem.

Um novo cenário para a gestão de viagens

Este novo ambiente obriga os gestores de viagens corporativas a adotarem uma abordagem mais estratégica e proativa. A crescente complexidade normativa torna a gestão de vistos um elemento crítico no planeamento das viagens de negócios, onde a antecipação, o controlo dos dados e a atualização constante dos requisitos se tornam essenciais para garantir a mobilidade internacional das empresas.