A coexistência de viajantes analógicos e digitais, um desafio para as empresas
Com a chegada da geração millennial a cargos de responsabilidade, as empresas enfrentam o desafio de ajustar as suas políticas de viagens a diferentes perfis de colaboradores com uma cultura muito diferente, desde aqueles que não se atrevem a sair sem a sua documentação em papel, até aos que resolvem tudo através do telemóvel. O Forum Business Travel analisou a evolução das viagens de negócios.
Com a presença de mais de uma centena de gestores de viagens, esta manhã no hotel NH Pódium em Barcelona terminou a reunião profissional que, juntamente com a que teve lugar na passada terça-feira em Madrid, discutiu as chaves do turismo de negócios no nosso país sob o lema “A outra face das viagens de negócios”.
Um dos desafios mais prementes que as empresas enfrentam é responder às diferentes necessidades dos empregados que têm de se deslocar por motivos profissionais.Facilitar a vida ao viajante é essencial para o seu desempenho e produtividade", explica Verónica Oca, especialista em Gestão de Viagens e uma das oradoras da conferência.
A convivência não é fácil entre os viajantes analógicos, habituados a gerir as suas viagens à moda antiga; os viajantes híbridos, que começam a aderir às novas tecnologias; e os viajantes digitais, que só fazem reservas e comunicam com a sede através de dispositivos móveis.
De acordo com Ocaña, “o gestor de viagens está na posição de fornecer ferramentas personalizadas para atender às necessidades de cada indivíduo, embora a gestão de viagens esteja a mover-se imparavelmente para o mundo digital”. Como Óscar García, cofundador do Forum Business Travel, “não mais cortar e colar, não mais café para todos”.
“Ao longo de 2015 já vimos como as políticas de viagens de muitas empresas evoluíram colocando o viajante como o pilar central da política, focando na segurança e melhorando a experiência de viagem, o que não significa que o foco na otimização de custos já não esteja lá, longe disso, este já é um clássico. Em 2016, esta tendência na política de viagens deve continuar e se espalhará por um número maior de empresas,
como aponta Charles de Bonnecorse, diretor de vendas da American Express Global Business Travel Espa a.
Além de se adaptarem à cultura de viagens dos funcionários, as empresas espanholas estão fazendo compensações reais para garantir que as viagens sejam realizadas com o maior conforto, sem estourar seus orçamentos, até incentivando a economia, porque a crise deixou uma lição inegável por um longo tempo: você precisa permanecer eficiente com os custos antes, durante e após a viagem.
NOVOS JOGADORES
O Fórum Business Travel também detetou a importância crescente de novos atores no mercado. Um caso muito claro é o do comboio. Desde 2010, as empresas europeias têm vindo a gastar mais 30% por ano neste meio de transporte, de acordo com os números fornecidos por Aurélie Lucas, da Voyages-SNCF España. A razão? Há uma necessidade de ganhar tempo, de evitar o stress, de não ter de tirar os sapatos num posto de controlo? O comboio está na moda", afirma. E há cada vez mais serviços adaptados aos viajantes de negócios.
Outros fornecedores com importância crescente nas viagens de negócios são os consolidadores de hotéis. A HRS é um bom exemplo. Com 300.000 estabelecimentos em 190 países, reúne uma rica oferta de opções independentes onde a cadeia do dia não chega.Para uma empresa, ter todo este portfólio numa única plataforma online, com preços negociados em grande escala, ligados a acordos próprios e integrados com os principais canais de reserva é uma enorme vantagem", diz Isabel Torra, diretora-geral da empresa em Espanha.
Um movimento semelhante está a surgir na distribuição aérea através do projeto New Distribution Capability (NDC), promovido pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA). Trata-se de um protocolo em linguagem XML para que as companhias aéreas possam oferecer os seus serviços através de todos os canais de uma forma mais transparente e universal. Os gestores de viagens reunidos pelo Forum Business Travel consideram que ainda está numa fase muito embrionária e que, de momento, levanta mais questões do que respostas, mas aprovam a sua implementação se este padrão tecnológico facilitar a sua tarefa diária.