A ascensão do nomadismo digital redefine as prioridades do talento em Espanha

A ascensão do nomadismo digital redefine as prioridades do talento em Espanha

O trabalho digital, remoto, flexível e offshore está a tornar-se uma opção cada vez mais atraente, especialmente em sectores como a tecnologia, o marketing, o design ou a consultoria, onde a especialização e a agilidade prevalecem. Esta evolução está a levar muitas empresas a repensar a sua estrutura organizacional, optando por modelos mistos mais ágeis.

De acordo com um inquérito realizado pela Hays, empresa de soluções de recrutamento e recursos humanos, 53% dos profissionais em Espanha associam este modelo a uma maior flexibilidade e bem-estar;a associa este modelo a uma maior flexibilidade e bem-estar, enquanto 29% valorizam particularmente a liberdade geográfica como uma vantagem fundamental.

“Estamos perante uma mudança de prioridades na forma de conceber o trabalho: mais centrada no equilíbrio pessoal, na autonomia e na possibilidade de se deslocar sem renunciar ao desenvolvimento profissional”, assinala Gustavo Pina, diretor de Contracting e Soluções Tecnológicas da Hays Espanha.

Desafios e benefícios

Apesar dos seus benefícios, o modelo nómada também apresenta desafios. De acordo com os dados recolhidos pela Hays, as principais desvantagens percebidas pelos profissionais são a integração com a equipa (41%), seguida das barreiras legais e fiscais (26%) e da falta de estabilidade (18%).

Isto obriga as empresas a rever os principais processos, desde a integração até à gestão da cultura empresarial e da confidencialidade dos dados. A chave é saber como integrar este talento nas equipas internas, garantir a confidencialidade dos dados e manter a coesão, independentemente da localização do empregado", diz o diretor.

Forças de trabalho mistas

Esta evolução está a levar muitas empresas a repensar a sua estrutura organizacional, optando por modelos mistos mais ágeis que integram o talento interno com profissionais externos por projeto. De acordo com o relatório global da Hays "The Workforce of the Future", este ano espera-se que entre 35% e 40% da força de trabalho global seja composta por funcionários externos.

Modelos como a contratação permitem às empresas obter talentos altamente especializados e a pedido, de uma forma ágil e flexível, sem assumir um compromisso a longo prazo. Este facto não só reduz os custos fixos, como também permite às empresas adaptarem-se rapidamente às novas exigências do mercado.

Estes perfis podem trazer uma combinação de inovação, adaptabilidade e experiência internacional que nem sempre é fácil de encontrar nas estruturas tradicionais. O seu historial, muitas vezes forjado em contextos muito diversos, torna-os uma verdadeira mais-valia para as empresas que precisam de se manter competitivas e antecipar as mudanças do mercado", salienta Pina.

Espanha, um destino estratégico

Neste novo mapa global do emprego, a Espanha posiciona-se como um dos destinos mais atractivos para o talento digital. Factores como a conetividade, o clima, a qualidade de vida e um custo de vida relativamente competitivo fazem dela uma opção excecional, a par de outros centros como Portugal, México e Tailândia.

De acordo com o Hays Labour Market Guide 2025, o sector mais aberto ao modelo remoto e offshore é o da tecnologia;gico (28%), seguido de comercial e vendas (7%), indústria (6%) e farmacêutica (5%).

“As empresas valorizam cada vez mais os resultados do que a presença física, e os profissionais, em vez de buscarem estabilidade, priorizam projetos motivadores, ambientes colaborativos e liberdade. A figura do especialista que trabalha em projectos a partir de qualquer parte do mundo está a deixar de ser excecional e está a tornar-se algo que veremos cada vez mais frequente", conclui o diretor de Contracting e Technology Solutions da Hays Espanha.